A Comunidade de Jesus Cristo

A Comunidade de Jesus Cristo

17 de agosto de 2020 Off Por GED

Os evangelhos descrevem um fato fundamental: Jesus formou em torno de si um grupo, uma comunidade de discípulos. A comunidade dos discípulos é o modelo exemplar para o que deve ser a Igreja, o novo povo de Deus.Toda renovação, no presente e no futuro, será autêntica à medida que seja a atualização do agir da comunidade de discípulos de Jesus formou.

A comunidade de discípulos, tal como aparece nos evangelhos, é grupo relativamente amplo, isto é, não se limita aos “Doze” (cf. Mt 8,21 e 27,57). Era grupo numeroso: setenta e dois deles foram enviados por Jesus a missão especial (Lc 6,17; 19,37; Jo 6,60).

Em repetidas ocasiões, os evangelhos distinguem nitidamente o grupo de Jesus do povo em geral (Mt 9,10; 14,22; Mc 2,15; 3,9; 5,31). Trata-se, portanto, de grupo de pessoas diferentes do resto da multidão, unidas por vinculo especial que é a Fé e o Amor; assim podemos falar de comunidade. Entre os membros desta comunidade, Jesus escolheu doze (Mt 10,1-4; 11,1; 20,17; 26,20; Mc 3,14-16;4,10; Lc 6,13; 8,1; 18,31; Jo 6,67-71; 20,24).

A estes doze discípulos Jesus conferiu missão e poderes especiais (Mt 10,1; 6,7…) A eles comunicou o Espírito (At 2,1ss), que após a Ressurreição lhes havia prometido (Lc 24,49; At 1,5-8), para que fossem suas testemunhas “em Jerusalém e em Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At 1,8). De fato, estes Doze desempenham missão de primeira importância na constituição da Igreja (1Cor 15,5; Ap 21,14). Os Doze têm também dimensão simbólica: representam as “doze tribos de Israel” (Mt 19,28; Ap 21,14-20), simbolizando a plenitude do novo Povo de Deus. Dito de outra forma: da mesma maneira que o Povo de Israel foi a posteridade, expansão e multiplicação dos doze filhos de Jacó, assim a Igreja, novo Povo de Deus, não é outra coisa que a continuidade e o desenvolvimento dos doze apóstolos (cf. Ad gentes, 5).

O que é a Igreja

A Igreja é o grupo daqueles que aceitam Jesus Cristo como o Amor de Deus, como a Autocomunicação de Deus, do Amor que Liberta e Salva. É a comunidade dos que Crêem, Esperam e Amam, dos que respondem à convocação de Jesus: “Eles ouvem a minha voz”. A Igreja é a comunidade daqueles que tem Fé, proclamam sua Fé e entram na vida Nova que brota do Mistério de Jesus Cristo: Paixão, Morte e Ressurreição. A Igreja é “porção do Povo de Deus, reunida pelo Evangelho, pelo Espírito e pela Eucaristia, sob a Liderança consagrada pelo Senhor o Bispo com seu presbitério padres e diáconos. (Christus Dominus, 11). A Igreja é a comunidade dos homens que, unidos na confissão de uma única fé cristã e na participação dos mesmos sacramentos, são governados por seus pastores legítimos.

Como nasceu, como nasce e como nascerá a Igreja?

O Povo de Deus (A Igreja) nasce e constitui-se a partir de dois apelos: a Pregação do Evangelho (Rm 10,14-17; 2Ts 2,13-15) e o Convite da Graça, Ação de Deus. É a Palavra, em união com o Espírito Santo, que gera a Igreja. Enquanto os apóstolos agem visivelmente, pela pregação anuncio da Fé, o Espírito Santo realiza invisivelmente no coração daqueles que acolhem a Palavra anunciada.

É pela palavra de Pedro, em sua pregação, que nasce a comunidade de Jerusalém (At 2,41-42). Os Judeus da Samaria, ouvindo a pregação de Filipe, que “anunciava a boa nova do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, também receberam a palavra e foram batizados” (At 8,12-14). A Igreja de corinto nasce da pregação de Paulo (2Cor 3,3). “Fui eu que, por meio do Evangelho, vos gerei em Cristo Jesus” (1Cor 4,15). Os efésios foram incorporados ao Povo de Deus porque acreditaram na palavra da verdade, a boa nova da Salvação (Ef 1,13).

O Povo de Deus é como uma LAVOURA, o “campo de Deus” (parábola do semeador). Somos plantas de diversas qualidades, mas unidas num único pedaço de terra, cercado e cuidado por um lavrador (cf. 1Cor 3,9).

O Povo de Deus é como uma ARVORÉ, Cristo é o tronco e nós os ramos unidos a ele (Jo 15,1-5). Somos ramos de oliveira brava enxertada na oliveira boa, Jesus Cristo (Rm 11,16-22).

O Povo de Deus é como um CORPO, diversos membros, cada um com sua função específica, mas unidos entre si, formando um único corpo vivificado por um único espírito e tendo por cabeça Cristo. Todos trabalhando harmoniosamente em função do todo (1Cor 12,12ss, Rm 12,3-5; Ef 4,12-16; Cl 3,15).

O Povo de Deus é como uma CASA, somos uma multidão de “pedras vivas”, unidas numa única construção e tendo Cristo por alicerce, como “pedra fundamental” (1Pd 2,4-5). “A ele (Jesus) haveis de chegar-vos, como pedra viva rejeitada pelos homens, junto de Deus, porém escolhida, preciosa; e vós mesmos, como pedras vivas, sede edificados em casa espiritual…” (1Pd 2,4-5). “vós sois edificados sobre os fundamentos dos apóstolos e dos profetas, sendo pedra angular o próprio Jesus Cristo. Nele se une toda edificação e cresce para o templo santo no Senhor, nele vós também sois edificados para a morada de Deus, no Espírito Santo”(Ef 2,20).

Tempo – Caráter individual, cada cristão é templo do Espírito Santo (1Cor 6,19)

Casa Espiritual – Caracteriza coletivamente as comunidades cristãs: santos (1Pd 2,5)

Cidade Santa – Todos universalmente são Cidade de Deus (Ap 21,10)

O Povo de Deus é como uma ESPOSA. No Antigo Testamento os laços esponsais entre Deus e seu povo significam que esse povo é chamado a viver a própria vida de seu esposo. Cristo compara a sua missão com as núpcias (cf. Mt 25,1-13; 22,2-14); a pregação de Cristo é apresentada por João Batista (Jo 3,29) e por ele próprio (Mt 9,15) como festa de casamento; por sua morte Cristo se entrega por sua Esposa e a santifica (Ef 5,25-28); adquiriu-a com seu sangue (At 20,28). A figura da esposa exprime: aliança indissolúvel, fidelidade, amor mútuo, fecundidade.

O Povo de Deus é como uma FAMÍLIA. Deus é o nosso Pai. Nós somos filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Em Cristo Deus nos ofereceu a possibilidade de sermos filhos adotivos: “Deus nos predestinou a sermos conformes a imagem do seu Filho, a fim de que seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8,29).

A Igreja é sinal da realidade do Reino de Deus já atual em Jesus Cristo e pré-sinal em função da plenitude futura. Os cristãos sabem que o Reino de Deus já está presente no mundo e é aqui que ele se apresenta para nós. Mas o Reino não se identifica com o mundo: “A Igreja é Reino de Cristo já presente em mistério” (LG 3). A ela pertence ainda o tempo de crescimento e maturação.  Por isso “anela, espera e suspira pelo Reino consumado” (LG 5). A Igreja não é o Reino de Deus, mas levanta para ele os olhos, aguarda-o, vai ao seu encontro como povo peregrino e prega-o ao mundo como seu arauto. Ela é SETA (Sinal) que indica, remete para o Reino de Deus. É chamada a ser luz, sal, fermento para o mundo, da realidade trazida por Deus.

A Igreja é antes de tudo e essencialmente SINAL. Não está posta para outra coisa senão para fazer passar aos homens uma significação, uma mensagem, algo que deva ser captado, compreendido, incorporado na construção da história e do mundo.

A vida da comunidade Igreja expressa-se através de serviço (ministérios). Desde o Concílio Vaticano II (1962-1965) a Igreja tenta devolver ao leigo o seu lugar ativo e corresponsável dentro dela, através de atitude participativa. Comunhão e participação é o lema.

Toda comunidade cristã se estrutura ao redor de quatro campos de ação:

  • EIXO DO ANÚNCIO EVANGÉLICO: São todos os ministérios ligados à Palavra, à reflexão, à produção de textos e símbolos, em função de anunciar a boa nova de Jesus: ministros da Palavra, evangelizadores, cantores, dramatizadores, catequistas, orientadores de cursos, etc.
  • EIXO DA CELEBRAÇÃO: A comunidade festeja a presença do Ressuscitado: serviço da liturgia, equipe de liturgia, ministros da comunhão, ministério de música, etc.
  • EIXO DA AÇÃO NO MUNDO: Serviços que os cristãos prestam para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna: serviço da caridade, cuidar dos idosos, alfabetização de adultos, Direitos Humanos, Pastoral da Educação, Movimento de Cursilho de Cristandade, etc.
  • EIXO DA COORDENAÇÃO: Pessoas que, em nome de Jesus e do Evangelho, animem e articulem em todos os eixos em função do bem da comunidade, da missão no mundo, da unidade. Esta tarefa é assumida pelo Papa, pelos Bispos, Padres, Coordenadores de comunidade, Animadores de grupos, etc.

Pe Daniel Pontes – Assessor Eclesiástico